Moda
Estilista de Morro Redondo recebe prêmio internacional
Karol Kuhn, que trabalha com o conceito de upcycling, criou projeto do Centro de Inovação e Design Sustentável do Studio Kuhn
liahlafoto - Especial DP - A experiência de Karol Kuhn com a AWE começou em junho
O trabalho com moda sustentável e o desejo de fomentar essa ideia entre jovens oriundas de famílias de baixa renda em Morro Redondo, resultou no projeto do Centro de Inovação e Design Sustentável do Studio Kuhn desenvolvido pela designer de moda Karol Kuhn, de Morro Redondo, e premiado pela Embaixada e Consulado dos Estados Unidos no Brasil. A premiação é do programa Academy for Women Entrepreneurs (AWE), implementado pelo Grupo + Unidos.
A experiência de Karol Kuhn com a AWE começou em junho, quando foram selecionadas 90 mulheres do país, para participarem de um programa de três meses, que teve como base o curso The 100 Million Learners Bootcamp on Global Entrepreneurship & Innovation, da Universidade Estadual do Arizona. "As aulas foram todas on-line, onde nós estudávamos os módulos indicados, e, após, tínhamos um encontro com facilitadores e mentores para que pudéssemos aplicar o que foi aprendido ao nosso modelo de negócio", conta a empreendedora.
Dentro do programa, cada aluna desenvolveu um Plano de Inovação para seu empreendimento. E esse plano estava concorrendo a um investimento semente. A fase semifinal ocorreu entre os dias 14 e 16 deste mês, quando Karol passou para a final, com outras seis mulheres. "E ganhei o segundo lugar, com um investimento semente de R$ 12 mil", celebra.
A marca Studio Kuhn é inspirada no conceito de upcycling e surgiu há três anos, quando Karol se formou no curso de Moda da Universidade Federal de Pelotas (UCPel). Nesta época, em plena pandemia, Karol se voluntariou para trabalhar no brechó beneficente em Morro Redondo. "Quem cuidava do brechó eram senhoras, várias delas do grupo de risco", conta.
O voluntariado chegou bem em um momento em que a estilista finalizava a graduação e não se via trabalhando em alguma indústria, por querer desenvolver algo voltado para a moda sustentável. Como não tinha condições de abrir a própria marca, por ser um investimento muito alto, viu nas peças do brechó uma possibilidade de começar a produzir algo próprio, dentro do conceito de moda circular e reuso. Foi então que a estilista comprou dez calças que se transformaram em coletes, peças da primeira coleção da marca.
Nas suas criações Karol busca pegar elementos das peças e colocá-los em lugares inusitados. "Eu pego o cós da calça e coloco ele como fechamento da gola. Gosto de retrabalhar esses elementos das peças", comenta.
Trabalho qualificado
O projeto premiado prevê a criação de um ateliê, onde a designer vai poder desenvolver a proposta dos modelos e acompanhar toda a produção da peça. "Hoje eu não tenho essa produção própria e é uma dor do meu negócio, porque preciso de uma mão de obra muito qualificada e bem específica para o trabalho. Eu quero desenvolver esse centro de inovação para isso", conta.
A ideia é envolver jovens da comunidade que vêm de famílias de baixa renda. "Trazer essas meninas que não tem essa vivência de arte e moda para dentro da marca, me auxiliando, fazendo workshops também." A ideia surgiu a partir de um curso que Karol ministrou para jovens em situação de vulnerabilidade, através do Cras.
Durante o curso a estilista ensinou o recorte de peças e deu noções de fotografia de moda. Os trabalhos foram expostos na 1ª Exposição de Moda de Morro Redondo, na festa de aniversário do município. "Elas foram muito bem e todas queriam continuar nessa iniciativa."
O Centro de Inovação deve estar aberto até o final do ano e Karol quer logo treinar alguém para trabalhar diretamente com ela. "Hoje eu sou MEI (Microempreendedor Individual), a empresa só comporta um funcionário, mas quero trazer essas outras meninas para outros eventos mais pontuais, para que elas possam vivenciar isso comigo."
Atualmente Karol atua na criação, produção e venda das peças, além claro, do garimpo da matéria prima, feito em brechós, por exemplo. A estilista utiliza os serviços de costureiras terceirizadas, o que por vezes é um problema, porque as peças precisam de um cuidado especial e um apuro nos acabamentos, o que nem sempre ela consegue.
Com o Centro ela pretende treinar as futuras costureiras para esse trabalho. "Quando necessário eu vou pra costurar também, mas toda vez que a marca aumenta eu não tenho muito tempo para me dedicar a isso, eu quero me dedicar mais a parte criativa. Hoje eu garimpo as peças basicamente em brechós beneficentes, mas a ideia é que a marca faça parcerias com empresas que têm estoques parados."
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